Santa Catarina O lixo de 30 anos atrás não é o mesmo de hoje. Os produtos ganharam uma quantidade muito maior de embalagens plásticas e metálicas. Uma praticidade para os consumidores que não foi pensada para a hora do descarte e acabou se transformando na grande vilã ecológica do planeta. No início da cadeia da reciclagem, está o catador, como Seu Inácio Severino da Silva, 71 anos. Às 4 horas da matina, de domingo a domingo, ele já está percorrendo as ruas do Recife, em lixeiras de condomínios, recolhendo garrafas pet, latas, caixas de papelão e tudo o que para as classes mais favorecidas financeiramente é lixo. Para Seu Inácio, o nome do lixo é outro: dinheiro.
Há dois anos, antes de se vincular a uma das dezenas de associações de catadores da Região Metropolitana do Recife, Seu Inácio retirava em meio de alimentos estragados seu sustento familiar. Com orientação e apoio da Associação Meio Ambiente Preservar e Educar (Amape), de Casa Amarela, ele agora sabe o endereço certo para buscar o material reciclável: condomínios residenciais que aplicaram a coleta seletiva nos apartamentos. “A gente anda menos e não suja as mãos. É mais saudável assim”, diz ele, que como grande parte da população pobre do país, tem na coleta de lixo a renda mensal garantida. “Por mês consigo uma média de R$ 170″, diz o catador, ainda achando pouco a remuneração e consciente da sua importância no ciclo.
A realidade dos catadores é considerada pelos educadores ambientais como o grande eixo de sensibilização da sociedade. “Não dá para pensarmos em pessoas da nossa família, nossas crianças, retirando o sustento do lixão. Ninguém gostaria de viver essa realidade, não é?”, questiona o presidente da Amape, Sérgio Nascimento. Com parceiros como Luiz Carlos Correia, instrutor de treinamento da associação fundada em 1998, eles utilizam esse tipo de argumento nas palestras que fazem em condomínios da zona norte do Recife. Criaram o projeto Edifício Ecológico, onde implantam os eco cestos nos corredores das moradas verticais. Os cestos da Amape, já patentiados, são produzidos artesanalmente por comunidades de catadores, com tampas plásticas de garrafas costuradas em fios de nylon. A renda é revertida para a própria comunidade. “O eco cesto é um dos instrumentos possíveis para geração de trabalho e renda, além de um produto de conscientização ambiental”, argumenta Luiz.
Sabe-se bem a capacidade de transformação de materiais recicláveis por indústrias. Garrafas pet e embalagens longa vida viram telhas, “madeiras” e outros materiais para construção civil. Mas é no artesanato que a sociedade consegue perceber, por enquanto, o maior retorno do lixo reciclável. Nas comunidades atendidas pela Amape, objetos decorativos como luminárias são outra forma de renda. Pessoas como as sócias da marca Pet vira Puf, Edilza Pereira e Auta Moraes, usam a imaginação para transformar garrafas pet em simpáticos e confortáveis pufs. Bonecas e outros brinquedos também são criados com tampas e papel. Caixas de papelão e retalhos em chita, para elas, são matérias-primas indispensáveis para a confecção de caixinhas e baús. O segredo de fazer os objetos, elas não guardam só para elas. Aplicam oficinas em comunidades, fazem parcerias em ONGs e repassam a quem perguntar os princípios básicos de ser “ecologicamente correto”.
O que separar?
(vidros, metais, plásticos e papéis)
Garrafas e potes de vidro
Latas de bebidas e alimentos
Embalagens plásticas
Papel e papelão
Materiais NÃO recicláveis
Lâmpadas
Guardanapos usados
Papel higiênico
Fraldas descartáveis
Isopor
Louças, porcelanas e cerâmicas
Carbonos
Esponjas
Cuidados especiais
Não Misturar alimentos nem outros dejetos com material reciclável. É recomendável passar água corrente nos materiais sujos.
Fonte: Diário de Pernambuco