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12/08/2006 - Falta lixo para reciclar

Os catadores de lixo, que trabalhavam no lixão de Santana de Parnaíba e que, desde abril, estão realizando o trabalho de seleção de recicláveis num galpão próximo ao aterro, estão precisando aumentar a quantidade de material que chega até eles. Até abril, os catadores tinham acesso ao aterro – e consequentemente a todo o lixo recolhido no município. Agora, trabalham apenas com a coleta seletiva realizada nos residenciais de Alphaville e Tamboré.

Segundo João Ferreira Alves, atual presidente da Avemare (Associação Vila Esperança de Materiais Recicláveis), o fechamento do acesso ao lixão – uma exigência das autoridades ambientais – diminiu o que cada catador conseguia ganhar por mês, de 1200 reais para cerca de 500 reais. “Apesar desses três primeiros meses terem sido muito difíceis, nossa qualidade de vida deu um salto enorme”, disse João durante a cerimônia de lançamento do programa “Lixo da Gente – Reciclando Cidadania”, que pretende incentivar a coleta entre os moradores de Alphaville e Tamboré. O programa, realizado em parceira entre a Avemare, a Fundação Alphaville, o Instituto Tamboré e a prefeitura de Santana de Parnaíba, foi lançado em 10 de julho, numa manhã chuvosa, dentro do galpão onde os catadores trabalham. “Imagine como estaríamos no lixão, agora, nessa chuva. Aqui temos teto, banheiros e um refeitório para esquentar as marmitas”, elogiou João.

Pouco lixo – A saída do lixão representa quantidade muito menor de lixo para que os catadores reciclem, e posteriormente vendam e sobrevivam. Dos 47 associados da Avemare, um grupo de 12 foi capacitado pela Ong IPESA (Instituto de Projetos e Pesquisas Sócio Ambientais) para realizar um trabalho porta-a-porta nos residenciais, levando material informativo sobre motivos e maneiras de realizar a coleta seletiva. (Veja o box “Você faz isso?”)

O grupo também foi treinado para fazer palestras sobre a reciclagem do lixo dirigidas às empregadas domésticas que, na maioria das casas, são as responsáveis pelo destino final do lixo. “As pessoas gostam de saber a quem estão ajudando, por isso é importante que o próprio pessoal da associação faça esse trabalho de conscientização”, disse Luciana Lopes, coordenadora de Meio Ambiente da Fundação Alphaville.

Iraci Alves da Cruz, uma das capacitadas, acredita que o mais importante nestas visitas é ensinar a diferença entre material orgânico e reciclável, além de enfatizar a necessidade de limpar os materiais antes de colocar no lixo. “É muito importante entregar o lixo limpo porque, como eles ficam muito tempo no galpão, pode atrair ratos e outros animais”, afirma Augusto Vieira, do IPESA.

Presente ao lançamento do programa, o prefeito Benedito Fernandes afirmou que a prefeitura disponibilizou mais um caminhão para fazer a coleta seletiva nos residenciais, que já começou a ser realizada em dois dias da semana.

A coleta seletiva em Santana de Parnaíba se restringe aos residenciais de Alphaville e Tamboré. “Não há qualquer previsão de estendê-la aos demais bairros do município”, disse o prefeito. Em Santana de Parnaíba, nem o Centro Histórico tem coleta seletiva de lixo.

Você faz isso?

- Embale os vidros em jornal, para evitar acidentes

- Lave as embalagens com água, para retirar os resíduos

- Separe o lixo orgânico do reciclável

- Verifique, na administração do residencial, quando o caminhão da coleta seletiva vai passar

(Informações retiradas do folheto distribuído pela campanha Lixo da Gente)

Fonte: Alpha News

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