Santa Catarina O Diagnóstico do Manejo de Resíduos Sólidos de 2006, elaborado pelo Ministério das Cidades, aponta que 55,9% dos municípios presentes na amostra realizam coleta seletiva de resíduos sólidos urbanos. O restante tem como destino final lixões, aterros irregulares ou simplesmente são lançados a céu aberto. Mesmo os aterros sanitários e aterros controlados nem sempre têm seus processos totalmente assegurados.
Foi esse impasse socioambiental que levou à criação, em 2002, da UsinaVerde S.A. Seus fundadores decidiram investir em uma empresa voltada ao desenvolvimento de tecnologias e processos para o aproveitamento energético do lixo urbano, atendendo tanto à esfera pública (administradores municipais) quanto à iniciativa privada.
“Para comprovar a eficiência de nossas tecnologias patenteadas, implantamos um Centro Tecnológico, no campus da Universidade Federal do Rio de Janeiro, com capacidade para 30 toneladas diárias e geração de 440 kWh de eletricidade, concebido integralmente com equipamentos fabricados no Brasil”, conta o diretor da empresa Luiz Carlos Malta. “Trata-se da única usina de incineração de resíduos urbanos com geração de energia elétrica em operação no país criada de acordo com as normas da Resolução CONAMA 316/2002 e com as normas específicas da FEEMA.”
Sob medida
A solução proposta pela UsinaVerde é apresentada em módulos com capacidade para tratar 150 ton/dia de resíduos sólidos urbanos, com geração de 3,3 MWh de energia elétrica, dos quais 2,8 MWh podem ser exportados. Segundo Malta, a capacidade de cada módulo atende à demanda de destinação final de aproximadamente 180 mil pessoas e a energia exportada pode abastecer a cerca de 14,4 mil residências (média de consumo residencial de 140 kWh/ mês, informada pela EPE/MME).
A rota tecnológica adotada pela UsinaVerde é semelhante à utilizada na Europa, nos Estados Unidos e na Ásia, baseando-se na incineração dos resíduos em forno fechado a elevadas temperaturas (mais de 900ºC), na recuperação do calor do forno para a geração de energia elétrica ou térmica e na purificação dos gases da incineração de modo a devolvê-los à atmosfera com níveis mínimos de poluentes (usinas “waste-to-energy”). “Nós adequamos essa rota às características do lixo brasileiro, especialmente no que se refere à expressiva fração de matéria orgânica, em torno de 60%, o que impacta diretamente no processo de combustão dos resíduos e de purificação dos gases da incineração”, destaca Malta.
O tratamento térmico dos resíduos é precedido pela seleção manual/ mecânica (feita por catadores) dos materiais recicláveis como garrafas PET, papel, papelão, vidros, latas de aço e de alumínio que são destinados à indústria de reciclagem. “O ‘combustível’ utilizado para a geração de energia é composto, portanto, pelo lixo orgânico e pelos demais resíduos combustíveis sujos ou contaminados com matéria orgânica”, detalha Malta. “Além disso, os rejeitos do processo são inertes e podem ser utilizados como matéria-prima na fabricação de tijolos (blocos de concreto), pisos ou material de pavimentação.”
PELO MUNDO
Estima-se que, anualmente, mais de 130 milhões de toneladas de lixo urbano têm como destino final as cerca de 750 usinas de tratamento térmico com geração de energia localizadas em 35 países, totalizando potência superior a 11.000 MWh.
Mais informações: www.usinaverde.com.br
Fonte: CEMPRE