Santa Catarina Reunir, por um mês, todo tipo de material que nos é entregue no dia-a-dia – de sacolas plásticas a comprovantes de pagamento. Foi isso o que fez a repórter Carol Costa. Nessa empreitada, ela descobriu que deixamos uma trilha nada ecológica por aí e que a saída para reduzir todo esse lixo é dizer não para os excessos
Por Carol Costa
Revista Bons Fluidos – 2008
Setenta e quatro sacolinhas plásticas, 16 garrafas PET de água mineral, 91 comprovantes de cartão de débito, 11 guardanapos de papel não utilizados. Essa é uma parcela do saldo de um mês de consumo comedido – afinal, há tempos me preocupo com a questão ambiental – de embalagens descartáveis, tão onipresentes quanto desnecessárias.
Passei um mês guardando correspondência não solicitada, saquinho plástico e outras maravilhas que só uma criativa indústria de embalagens é capaz de colocar no mercado – 1 milhão de sacos plásticos por minuto, 210 mil toneladas de filme plástico por ano, só no Brasil.
“Tá juntando tralha?”, me perguntou Val, a faxineira, incomodada com o monte que ia se acumulando em cima da mesa e que eu não deixava ir para a lata do lixo. Expliquei que minha intenção era medir, por um mês, o tamanho do rastro de meu próprio consumo. “Ser humano é bicho que emporcalha tudo”, disse a Val, na sabedoria de quem vive de limpar a sujeira alheia.
Não é preciso ser um consumista incorrigível ou um comilão contumaz para ser proprietário de uma mon–tanha particular de lixo reciclável. De acordo com especialistas, o consumo anual médio de plástico é de 24 kg per capita no Brasil (contra 130 kg nos Estados Unidos). Parece exagero? Pense na freqüência com que você vai à padaria, ao supermercado, à farmácia.
Setenta e quatro sacolinhas plásticas, 16 garrafas PET de água mineral, 91 comprovantes de cartão de débito, 11 guardanapos de papel não utilizados. Essa é uma parcela do saldo de um mês de consumo comedido – afinal, há tempos me preocupo com a questão ambiental – de embalagens descartáveis, tão onipresentes quanto desnecessárias.
Passei um mês guardando correspondência não solicitada, saquinho plástico e outras maravilhas que só uma criativa indústria de embalagens é capaz de colocar no mercado – 1 milhão de sacos plásticos por minuto, 210 mil toneladas de filme plástico por ano, só no Brasil.
“Tá juntando tralha?”, me perguntou Val, a faxineira, incomodada com o monte que ia se acumulando em cima da mesa e que eu não deixava ir para a lata do lixo. Expliquei que minha intenção era medir, por um mês, o tamanho do rastro de meu próprio consumo. “Ser humano é bicho que emporcalha tudo”, disse a Val, na sabedoria de quem vive de limpar a sujeira alheia.
Não é preciso ser um consumista incorrigível ou um comilão contumaz para ser proprietário de uma mon–tanha particular de lixo reciclável. De acordo com especialistas, o consumo anual médio de plástico é de 24 kg per capita no Brasil (contra 130 kg nos Estados Unidos). Parece exagero? Pense na freqüência com que você vai à padaria, ao supermercado, à farmácia.
Lembre-se de quantas vezes não colocou dois saquinhos para segurar um conteúdo particularmente pesado – um saco de arroz, uma caixa de refrigerante, –, afinal as sacolas arrebentam com a mesma facilidade com que entopem bueiros e bocas-de-lobo. É tanto combustível fóssil utilizado em sacolinhas que chega a ser surpreendente que sobre algum petróleo para transformar em gasolina.
EU, VOCÊ E TODOS NÓS
Nas praças de alimentação de shoppings e galerias, bandejas de plástico são protegidas por uma folha de papel, talheres descartáveis são oferecidos dentro de sa–quinhos plásticos, o refrigerante vem acompanhado de copo descartável. Mas o mundo está mesmo perdido quando até canudo e palito de dentes precisam ser embalados individualmente. Não fosse nossa um tanto neurótica fantasia de assepsia, muitas dessas embalagens nem sequer existiriam.
Na maioria das vezes, toda essa tralha descartável vai parar mesmo no lixo. Com um pouco de sorte, é possível que a sua latinha de refrigerante tenha um destino bem mais digno, indo compor a renda dos milhares de catadores que perambulam pelas grandes cidades.
Ser reciclado, no entanto, é um fim de carreira glorioso apenas para produtos nobres, como o sulfite que vira a agenda estilosa e a garrafa PET transformada em tecido fashion. A maioria das embalagens que consumimos no dia-a-dia – coisas banais, como o blister do remédio – vai para o lixão.
Quer coisa mais onipresente do que o papelzinho de comprovante de venda? Com a crescente substituição do dinheiro pelo cartão, as máquinas emitem duas vias do cupom fiscal: uma vai entulhar a mesa dos diretores financeiros das empresas e a outra vira bolinha de papel em segundos e vai da bolsa para o lixo.
Como tem gente que usa o cartão até para comprar água, não é difícil imaginar o montinho de papel que desperdiçamos só ao digitar a senha na maquininha de débito automático.
A coisa vai mal, como se vê, mas pode ser revertida. Basta aprender alguns nãos. Comece a treinar: “Não quero a sacolinha, obrigado. Trouxe minha bolsa de feira”, “Não precisa imprimir minha via do cartão”, “Não quero talher de plástico. Pode me conseguir alguns de metal?”. Se os nãos falharem em algum momento, aí diga sim à reciclagem.
QUANTO LIXO FOI PRODUZIDO
91 comprovantes de cartão de débito
74 sacolinhas plásticas
49 embalagens plásticas
16 garrafinhas PET de água mineral
15 caixas de papel de tamanhos variados
13 copinhos de café
12 publicidades não solicitadas
11 guardanapos de papel não utilizados
9 canudos
8 blísteres de remédio
4 embalagens TetraPak
3 sacolas grandes de papelão
2 caixas grandes de papelão
Fonte: Planeta Sustentável (http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/lixo/conteudo_400222.shtml)
Lembre-se de quantas vezes não colocou dois saquinhos para segurar um conteúdo particularmente pesado – um saco de arroz, uma caixa de refrigerante, –, afinal as sacolas arrebentam com a mesma facilidade com que entopem bueiros e bocas-de-lobo. É tanto combustível fóssil utilizado em sacolinhas que chega a ser surpreendente que sobre algum petróleo para transformar em gasolina.
EU, VOCÊ E TODOS NÓS
Nas praças de alimentação de shoppings e galerias, bandejas de plástico são protegidas por uma folha de papel, talheres descartáveis são oferecidos dentro de sa–quinhos plásticos, o refrigerante vem acompanhado de copo descartável. Mas o mundo está mesmo perdido quando até canudo e palito de dentes precisam ser embalados individualmente. Não fosse nossa um tanto neurótica fantasia de assepsia, muitas dessas embalagens nem sequer existiriam.
Na maioria das vezes, toda essa tralha descartável vai parar mesmo no lixo. Com um pouco de sorte, é possível que a sua latinha de refrigerante tenha um destino bem mais digno, indo compor a renda dos milhares de catadores que perambulam pelas grandes cidades.
Ser reciclado, no entanto, é um fim de carreira glorioso apenas para produtos nobres, como o sulfite que vira a agenda estilosa e a garrafa PET transformada em tecido fashion. A maioria das embalagens que consumimos no dia-a-dia – coisas banais, como o blister do remédio – vai para o lixão.
Quer coisa mais onipresente do que o papelzinho de comprovante de venda? Com a crescente substituição do dinheiro pelo cartão, as máquinas emitem duas vias do cupom fiscal: uma vai entulhar a mesa dos diretores financeiros das empresas e a outra vira bolinha de papel em segundos e vai da bolsa para o lixo.
Como tem gente que usa o cartão até para comprar água, não é difícil imaginar o montinho de papel que desperdiçamos só ao digitar a senha na maquininha de débito automático.
A coisa vai mal, como se vê, mas pode ser revertida. Basta aprender alguns nãos. Comece a treinar: “Não quero a sacolinha, obrigado. Trouxe minha bolsa de feira”, “Não precisa imprimir minha via do cartão”, “Não quero talher de plástico. Pode me conseguir alguns de metal?”. Se os nãos falharem em algum momento, aí diga sim à reciclagem.
QUANTO LIXO FOI PRODUZIDO
91 comprovantes de cartão de débito
74 sacolinhas plásticas
49 embalagens plásticas
16 garrafinhas PET de água mineral
15 caixas de papel de tamanhos variados
13 copinhos de café
12 publicidades não solicitadas
11 guardanapos de papel não utilizados
9 canudos
8 blísteres de remédio
4 embalagens TetraPak
3 sacolas grandes de papelão
2 caixas grandes de papelão