Rio de JaneiroPor Mariana Ribeiro
Foto: Divulgação
Desenvolvido pela Prefeitura de Barra Mansa, o projeto de coleta de material reciclado “Porta a Porta” tem gerado bons resultados e superado as expectativas. Exemplo disso é que em maio, quando o programa começou a funcionar, apenas seis bairros eram atendidos, sendo coletadas pelo Saae (Serviço Autônomo de Água e Esgoto) apenas 4 toneladas de material. Três meses depois, o projeto já atende a 20 bairros e recolhe 12 toneladas, representando um aumento de 200%.
Os objetivos do projeto, segundo o prefeito de Barra Mansa, Zé Renato, são fortalecer o programa de coleta seletiva no município, aumentar a quantidade de material coletado, preservar o meio ambiente evitando que estes materiais sejam jogados na rua, reduzir os custos da coleta e aumentar a renda dos cooperados da Coopcat (Cooperativa de Catadores de Material Reciclado) Barra Mansa.
- A coleta ‘porta a porta’ é uma inovação e esperamos ter bons resultados. O caminhão passa de casa em casa pelos bairros recolhendo todo o material reciclável. Isso facilita a vida das pessoas que querem se desfazer de alguns itens mas não sabem como ou não têm como levar à Coopcat. Com a coleta personalizada, a população acaba contribuindo com o meio ambiente e ajudando os cooperados. Por enquanto, o projeto será realizado uma vez na semana em cada bairro. Mas pretendemos ampliar a coleta para todos os bairros – comenta o prefeito.
O coordenador de Resíduos Sólidos (CRS) do Saae, Jackson Rabelo, conta como tem sido o trabalho. “Os primeiros bairros a serem percorridos foram Santa Rosa, Vila Orlandélia, Boa Sorte, Piteiras, Verbo Divino e Colônia Santo Antônio, nos conjuntos Morada da Colônia I e II, São Lucas e Aimoré. Agora, também já atendemos ao Ari Parreiras, Ano Bom, Parque Independência, São Luiz, Conjunto Village do Sol (Colônia Santo Antônio), Água Comprida, Condomínio Nossa Senhora de Fátima, Jardim Boa Vista, Rua Cecília Monteiro de Barros (Figueira), no Centro, Vila Déa e São Silvestre. Antes de iniciar a coleta em um novo bairro, o Saae distribui folhetos informativos e ímãs de geladeira com as datas e os horários da coleta, além do carro de som que passa anunciando o projeto”, explica Jackson.
Ele informou ainda que depois da orientação, o caminhão passa fazendo a coleta. “Estamos tendo um bom resultado. Temos dois caminhões para atender os bairros com capacidade para recolher 18m3 de material cada um, o que corresponde a cerca de 800 kg de material. Até o fim do ano, esperamos atender 42 bairros e, em 2011, mais 42 locais”, afirmou Jackson, lembrando que a coleta “porta a porta” é uma etapa dentro do Programa de Coleta Seletiva de Barra Mansa.
Eco-óleo – Ainda dentro do programa de Coleta Seletiva do município, o Saae implantou o projeto “Eco-óleo”, passando a recolher óleo vegetal há cerca de dois meses. O material é recolhido através da coleta “porta a porta”, que, além do material reciclado como papel, plástico, vidro e metal, também está recolhendo materiais eletro-eletrônicos como computadores, tevês, rádios, ventiladores, aparelhos de CD, máquinas de lavar, geladeiras, entre outros. O óleo vegetal usado também está sendo recolhido em três colégios do município e a previsão é de que o material seja recolhido até o fim do ano em todas escolas municipais e depois nas unidades estaduais, particulares e cozinhas industriais. Até o momento já foram recolhidos 700 litros de óleo usado. Ao atingir cerca de 4 mil litros recolhidos a Coopcat, que está armazenando o material, enviará o produto à uma empresa no Rio de Janeiro para ser transformado em biodiesel.
Parceria - Em outubro do ano passado, o prefeito Zé Renato assinou um termo de adesão do Projeto de “Coleta de Embalagens Pós-Consumo”. Além da Prefeitura, o documento foi firmado entre a ABIHPEC (Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos) e a ABIPLA (Associação Brasileira das Indústrias de Produtos de Limpeza e Afins). As associações disponibilizaram equipamentos como prensa, balança de precisão, elevados de fardos para facilitar e agilizar o trabalho dos catadores. Além disso, a parceria promoveu a capacitação dos catadores desde áreas específicas até a assuntos ligados a questões como cidadania.
Coleta – A coleta funciona uma vez por semana – um caminhão passa por um determinado bairro recolhendo de casa em casa o material reciclável e a separação do lixo específico é realizada posteriormente, na cooperativa. De acordo com o engenheiro responsável pela coleta seletiva do município, Sérgio Antônio da Silva, o valor de remuneração pelo material aumenta quando a separação dele é feita ainda em casa, pois o produto não se mistura com outros resíduos.
“Antes do início da coleta, os catadores são capacitados e a população recebe informações em casa. Uma equipe de divulgação percorre os bairros distribuindo folhetos e dando orientações para que todos separem o material”, explicou o engenheiro, ao informar que além do caminhão que faz a coleta de casa em casa, o Saae tem um outro caminhão fixo que recolhe o material reciclado de empresas, escolas, edifícios e órgãos públicos.
Ainda, de acordo com ele, a cada semana o projeto atende de um a dois bairros novos. “Estamos ampliando o projeto e para que consigamos atingir mais bairros, pedimos a colaboração dos moradores para que separem o material reciclado do lixo comum, coloquem os itens recicláveis em uma sacola única e deixem na calçada nos dias e horários programados para coleta. Esta medida otimiza o tempo de trabalho da equipe, contribuindo para que o caminhão atenda mais locais durante a semana”, conclui Sérgio, acrescentando que os interessados em saber mais sobre o projeto podem entrar em contato com o Saae, setor de Resíduos Sólidos, de segunda a sexta-feira, das 7 às 17 horas. O Saae funciona na Rua da Imprensa, nº 169, bairro Ano Bom. Outros contatos podem ser feitos através do telefone (24) 3322-6195 ou pelo e-mail coletaseletiva@saaebm.rj.gov.br
Coopcat - Atualmente, a Coopcat possui 64 cooperados e recolhe por mês uma média de 60 toneladas de material reciclável. A intenção é que esse número chegue, até o fim do ano, a 100 toneladas. Com a coleta “porta a porta”, há uma maior oferta de postos de trabalho e mais oportunidade para os catadores. Além disso, a renda média deles ganhou um acréscimo de R$ 200. Antes, eles recebiam na faixa de R$ 500 e, agora, a renda média mensal dos cooperados é de R$ 700. Atualmente, a Cooperativa recolhe mais de 40 tipos de materiais recicláveis como papelão, papel em geral, plástico (garrafa pet, embalagens de produtos de limpeza, entre outros), vidros e metais.
Resíduo Doméstico - Segundo dados da Coordenadoria de Resíduos Sólidos do Saae, o recolhimento de lixo na cidade vem aumentando. Há cinco anos, o recolhimento de lixo ficava em torno de 2,5 mil toneladas. Desde 2005, com as melhorias na infraestrutura e asfaltamento de várias ruas na cidade, a Prefeitura aumentou em 15% a área geográfica do município atendida pelo programa de coleta de lixo. Com isso, todo o município passou a ser atendido pelo programa e o número de resíduo recolhido subiu para três mil toneladas. “O próprio lixo urbano oferece condições para a coleta seletiva feita pelos catadores da Coopcat. Do total de resíduo urbano doméstico coletado por mês na cidade, 2,5% são feitos pelos cooperados e os outros 7,5% são feitos na informalidade. O município tem potencial para recolher 60% do total de resíduo doméstico coletado, ou seja, 1,8 mil toneladas por mês de material reciclável. Atualmente, recolhemos somente 10%, o que corresponde a 300 toneladas/mês. Nosso objetivo, dentro de cinco anos, é recolher estes 60%”, comenta o coordenador de Resíduos Sólidos, Jackson Rabelo, ao informar que a reutilização de materiais é uma necessidade e uma tendência mundial.
Fonte: http://www.prefeituradebarramansa.com.br/pmbm/web/page/noticias_detalhes.asp?cod=654